quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Segurava na mala da mulher


Outro dia na travessia do Tejo. Um senhor mais velho com um olhar abstraído. As mãos tremiam. A esposa ia à janela. Desenhei-o com menos rugas na cara. Levava a mala da mulher ao colo, bem segura. Nestas idades tem de haver apoio dentro do casal para enfrentar os ritmos de quem viaja diariamente e não acompanha toda a informação que surge em todo o lado (horários, escadas rolantes, direcções...).
Aproveito para desejar a todos um bom Natal. A época da família. Conjugar diferentes gerações e abraçar os mais velhos.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Travessa do Despacho


Hora de almoço. Subi a Travessa do Despacho vindo da Rua de Santa Marta em Lisboa. Travessa estreita e com muitos estendais de roupa. Aproveitei e fiz um desenho em 15m. Logo surgiu uma viatura que parou em frente à garagem. Quando o dono voltou e quis subir, tive de me colocar bem encostado a uma porta. Sabia que no fim da travessa estava lá outro carro estacionado. Enquanto terminava alguns detalhes ouvi a discussão entre o dono do carro e uma mulher. Começou suave com pedidos de desculpa, passou para "não sabem ver onde estacionam" e acabou tudo aos gritos com "alhos" e outras palavras sobre a mãe do senhor. Ninguém veio à janela espreitar a discussão que por ali deve ser o dia-a-dia. Voltei pela rua do Passadiço já sem os dois carros à vista.
P.S. Achei curioso uma toalha a secar com o nome e o logotipo de um hospital. Deve ter sido uma oferta.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Coros de Natal no Barreiro


Chega a época do Natal e gosto de ver os Coros nas Igrejas. A acústica é excelente para a entoação de belas vozes e os cânticos deixam-nos aconchegados, sentindo aquela "calor" junto das pessoas e próximo de uma paz interior, esquecendo por momentos o stress de pessoas às compras.


O primeiro Coro a cantar foi o da Junta de Freguesia de Alcântara. Não gostei do acompanhamento com órgão em algumas canções. O segundo a entrar foi o CorUTIB do Barreiro. Um fotógrafo circulava pela Igreja da Nossa Senhora do Rosário no Barreiro. Fui desenhando o que conseguia ver no meio das cabeças da assistência.


E terminou com o Coro Audite Nova da Igreja de São João de Brito. Foi o que gostei mais. Tudo cantado à cappella, com canções tradicionais portuguesas, canções inglesas e americanas. 
Terminei o úlimo desenho e passei aguarela no local. Uma senhora ao meu lado já não tirava os olhos do meu caderno. Num dia de nevoeiro e frio, estas vozes aqueceram-nos o corpo e a alma.
Com isto acabei mais um caderno que tinha começado em Junho deste ano.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Outono na Avenida


As cores de Outono estão nas folhas caídas,
nas roupas quentes, 
no cheiro da castanha assada,
nos passeios das avenidas,
onde as pessoas apanham um pouco de sol
na pausa de almoço.

Comecei a desenhar a rapariga sozinha,
logo apareceu um rapaz com o seu phone
ficaram os dois naquele banco,
acrescentei o quiosque do Tivoli,
o rapaz a olhar de lado para um tipo com um caderno
e a rapariga de olhos fechados.
Não faltou o padrão da calçada
e terminei com gosto a minha pausa.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Ainda se fala em SIDA


Primeiro de Dezembro, ex-feriado e data da comemoração da restauração da independência mas que poucos se vão lembrar de homenagear. A nível internacional comemora-se o Dia Mundial da Luta contra a SIDA. Uma questão que desde os anos 80 foi perdendo importância nos nossos pensamentos, mas que ainda é um problema para milhares de pessoas. Lembro-me do susto que era no final dos anos 80 ir cortar o cabelo e ver o cabeleireiro a usar a navalha ou os anúncios a avisar as pessoas que podiam apertar a mão a pessoas seropositivas ou não ter receio de espirros. Os anúncios eram assustadores e em todo o lado se pensava em sexo seguro e preservativos.
Passaram os anos e parece que já não existe porque não se fala, mas é sempre preciso cuidado e assim surgem campanhas dirigidas aos adolescentes cada vez mais criativas. A empresa de preservativos Durex quer criar um emoji para ser usado nas sms e afins junto com toda a salada de imagens que representam sexo. A MTV avançou com um emoji e uma campanha bem maluca para chamar a atenção da malta mais nova. As mentalidades mudaram em 20 anos.
Tudo isto porque ouvia um telefonema, na travessia do barco, de uma mãe ao filho. Quando ele falou em testes da SIDA, a mãe assustou-se mas tratava-se de um workshop. Logo depois já desabafava com o marido. Achei engraçada a situação, mas trata-se um assunto que devemos ter sempre presente.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Alfândega no Terminal Fluvial do Terreiro do Paço


Na terça-feira 24, quando chegava aos torniquetes para validar o passe e apanhar o barco para o Barreiro, dei conta de uma operação do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras). Foi pedido o cartão do cidadão a todos os passageiros. Uma operação em vários locais junto aos transportes público para deter ilegais ou documentação duvidosa.

O atentado de Paris e a onda de refugiados colocou no pensamento dos países europeus a questão das fronteiras, do receio de não controlar entradas e saídas de estrangeiros, da movimentação de pessoas procuradas e isso assiste-se no dia-a-dia dos aeroportos.
Ainda não tinha apanhado uma operação destas na estação fluvial e de repente senti que morava fora da Europa, na  outra Margem e teria que andar com toda a documentação.

Cresce o receio de ir no metro ao lado de uma pessoa de feição árabe e a desconfiar de todos os turbantes. O irracional nasce do medo. Ao mesmo tempo aceitamos ser mais vigiados e controlados por questões de segurança, tal como já acontece nesta altura em França.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Seixos na parede


Pausa de almoço e uma caminhada até à rua do Passadiço. Na esquina com a travessa das Parreiras, um edifício chamou-me a atenção com a decoração de seixos nas paredes do rés do chão.
Pode ter feito numa época em que estava na moda colocar pedras nas paredes das vivendas, mas esta moda parece não ter pegado muito por esta zona. Deve ser o único com as pedras na parede.
Tive que acelerar o desenho porque estava a ser alvo de dezenas de moscas que não me largavam. Calculo que fosse por ter os caixotes de lixo perto de mim, na esquina de onde desenhava. 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

De repente o livro acabou...


De repente o livro acabou na página 96. Comecei a ler outro dia o livro "30 dias em Sydney" do escritor australiano Peter Carey e apareceu-me uma página em branco, aliás, várias páginas.
Enviei ontem um e-mail para as Edições ASA do grupo Leya a pedir explicações e se podiam enviar as páginas em falta em pdf. Sei que o livro está esgotado e faz parte de uma coleção de literatura de viagens com mais 4 ou livros. Como tenho a coleção toda em casa, fui logo a seguir ver se acontecia a mesma falha noutros livros. Pelo menos sei que Praga tem as páginas todas e depois verei Paris.

Hoje na travessia do rio, voltei a abrir o livro na página em branco e fiquei a pensar se deveria continuar como se essa folha não fizesse falta. No meio do pensamento desenhei uma rapariga que mais à frente estava satisfeita a ler um livro. Acho que vou colocar o livro de lado e esperar uma resposta da Editora. A questão é que faltam cerca de 15 páginas salteadas e torna-se impossível seguir o rumo da estória.

Acho que vou pegar no livro sobre Paris e conhecer um pouco mais sobre uma cidade que por estes dias anda no pensamento do mundo, infelizmente.

Actualização: No passado dia 26/11/2015, as Edições ASA responderam ao meu e-mail e enviaram-me o livro em pdf para imprimir as páginas em falta. O meu agradecimento à Cristina Carvalho da Leya pela resolução da questão.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Beirute - Paris


Sexta-feira foi uma noite para não esquecer. Na hora dos telejornais, uma torrente de notícias a chegar em todos os canais sobre atentados em Paris. A informação era pouca e as imagens eram de um canal francês, iguais em toda informação de vários países que temos acesso pelo cabo.
Já muito se disse e escreveu, mas retive uma mensagem que vi no facebook sobre um atentado que houve a 9 de janeiro deste ano, no Quénia, em que morreram umas 2000 pessoas e faltou falar nisso em todo o mundo.

É bom ver a união de países, a mostrarem a bandeira francesa em monumentos em todo o mundo, mas esquecemo-nos dos países que convivem com o terror e lhes falta o mesmo apoio. No dia anterior ao atentado de sexta-feira, houve uma dupla explosão em Beirute com a morte de cerca de 40 pessoas.
Parece que vivemos num mundo louco, mas apenas temos acesso a mais informação, inflacionando as loucuras locais e regionais para um nível global, extremando as diferenças entre raças, etnias e religiões.
Acima de tudo há que continuar a promover os valores que julgamos presentes, mas que temos de continuar a lutar por eles - Liberté, Égalité, Fraternité.

Em homenagem ao Líbano e a França.


A conversa do desenho era entre 2 tipos, um deles tinha vindo da Bélgica e falava sobre as estórias por lá. O outro "picava" a perguntar sobre as mulheres. Desenho feito no dia 12/11/2015.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Amadora BD 2015

De volta ao festival de BD da Amadora, na sua 26ª edição. Sempre com surpresas e grandes exposições. Os pequenos adoram ver, desenhar e pintar. Gostei de ver de novo os desenhos do Luís Louro depois há uns anos tê-lo visto quando andava com as aventuras do Corvo. 
Ainda consegui desenhar numa pausa enquanto a minha filha pintava. Comprei 2 livros a preço de feira e um balde de pipocas que já vai sendo tradição.

Desenhos de Luís Louro - 30 anos do Jim Del Monaco.



Desenhos da Joana Afonso...




Exposição 30 anos da Tertúlia BD de Lisboa. Desenhos em toalhas de mesa e mais histórias...


Até 2016...

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Um casal nas escadas


Outro dia entrei no barco e fui directo ao bar beber um café. Ao meu lado uma rapariga e um rapaz que falavam de questões de trabalho. Enquanto esperava que a empregada servisse todas a minis e médias de cerveja que são muito requisitadas ao final do dia, a rapariga ia ficando cada vez mais impaciente com a espera. Quando chegou a minha vez, pedi o café e a rapariga queria uma mini preta. Não havia e ficou com uma média. O rapaz pediu uma cola. 
Bebi o café e como não queria andar à procura de lugar com o barco em andamento, fiquei ao pé das escadas que dão para o piso superior. O casal estava sentado nas ditas.
A rapariga era a mais faladora e de vez em quando olhava para o meu lado para perceber o que eu estaria a fazer com um caderno aberto. Desenhei a senhora à minha frente com o telemóvel e quis fazer os 2 planos e incluír o casal. O desafio seria olhar para eles e desenhar, com a rapariga a topar que estava a observá-los. Felizmente, entusiamou-se com a conversa e deixou de reparar. Acabei o desenho e colori mais tarde. Já há muito que queria fazer um plano das escadas.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Smartphone sempre na mão


Imprescindível. O telemóvel tem de estar sempre à mão nas nossas viagens diárias. Não vá caír alguma mensagem ou não ler as mensagens de "bom dia natureza" no facebook dos amigos. E claro que serve sempre de escapatória a uma conversa mais chata com alguém. Ou não querer pensar em mais nada que um jogo de bolinhas a caírem.
Neste desenho o tipo que falava com o telemóvel na mão ia dando sempre uma olhadela para o dito enquanto gesticulava muito e tornava o meu desenho mais díficil de concretizar.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Originais do "Lisboa por/by Urban Sketchers"


Na passado dia 23 de Outubro foi feito o lançamento do livro "Lisboa por/by Urban Sketchers" na loja do Museu de Marinha e com o apoio desta. Uma parceria da Editora Zest com os Urban Sketchers Portugal.
O livro está lindo, com os desenhos de 45 autores sobre a cidade de Lisboa, dos locais mais turísticos aos menos conhecidos e quase secretos. Participo com 2 desenhos que foram seleccionados há mais de um ano. Agora apresento aqui os originais dos desenhos publicados e como ficaram no livro.










terça-feira, 20 de outubro de 2015

Urban Sketchers Portugal no Museu de Marinha - Encontro 87



Em dia de chuva veio mesmo a calhar um encontro de desenho num local resguardado. O Museu de Marinha tem muito por onde desenhar, apesar de algumas peças não terem iluminação suficiente para os detalhes. No meio de miniaturas de barcos, galeões e caravelas, comecei por desenhar as fardas da Marinha do século XVIII. E depois tirei algumas fotos de desenhadores em acção:










O tempo passou a correr e às 17h00 apareceu o vigilante para encerrar a exposição.               Saímos para a cafetaria do museu onde enchemos algumas mesas com o resultado do encontro. Desenhos de barcos, fardas, objectos, subsmarinos... Um pouco de tudo e a sensação de o tempo ter passado a voar.

Ainda fiz um desenho da varanda em pleno pavilhão das galeotas, com uma vista sobre magníficos exemplares em toda a sua imponência. Gostei muito do encontro e este local promete muitas visitas para desenhar muito mais.





sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Travessa do Loureiro - Lisboa


Dia de céu azul em Outubro e uma pausa na hora de almoço para conhecer mais recantos perto do trabalho. Junto ao Instituto de Oftalmologia Dr. Gama Pinto, encostado a uma das portas, apanhei este edifício na Travessa do Loureiro. À janela uma mulher estendia a roupa e conversava com algumas conhecidas. Ainda olhou desconfiada para mim, mas já não fui a tempo de a desenhar.
Uma rua de sentido único onde passam táxis a grande velocidade para deixar pacientes no Instituto, no cruzamento com a Rua do Passadiço. Recantos desta cidade que ainda tem roupa estendida à janela e até uma caixa de cerveja à espreita. 

Os dedinhos


Nesta travessia de barco, estava ao pé de mim um homem a ouvir música com uma postura mesmo relaxada. Achei piada aos dedos no braço da cadeira e foram os primeiros a serem desenhados. Considerando que ainda levava a gravata colocada, o casaco ao colo e a mala ao lado, possivelmente seria a música que o descontraía e lhe dava um aspecto de quem chega ao final do dia fatigado e precisa de não pensar em mais nada. Esperei que começasse a tamborilar o ritmo da música com os dedos, mas não sucedeu.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Selecção Nacional no Café


Ontem lanchava num café com a família e nem me lembrava que era dia do jogo Sérvia-Portugal. Já estávamos apurados, por isso o jogo era mais para utilizar outros jogadores e manter a senda de vitórias. Não ligo muito ao futebol, mas gosto de ver os campeonatos da Europa e do Mundo. Prefiro uma tarde de Mundiais de Atletismo.
O ambiente no café estava calmo e as pessoas viam com alegria de festejar os golos sem pressão. Quando acabei o desenho, ganhávamos por uma bola e o jogo terminou com a nossa vitória por 1-2.
Aproveitei os lápis com que a minha filha estava a desenhar noutro caderno e colori mesmo antes do apito final. Falta o sorteio para o campeonato em França no próximo ano.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Vivemos momentos históricos!


Vivemos momentos históricos. Factos que julgávamos tradicionais, começam a mudar.
Já voto há alguns anos e achei esta eleição diferente. Parece como uma tempestade perfeita. Os resultados saíram como esperava, nisso o povo é tradicional, mas são as opções que vamos vendo sobre possíveis governos e coligações que pensávamos nunca existir.
Quando leio que o PCP poderá viabilizar um governo PS, isso é histórico.
O candidato presidencial do PCP é um ex-padre, isto é histórico.
A Alemanha está a perder o desequilíbrio com o caso Volkswagen e poderá ter grandes problemas na Economia. Uma empresa desta dimensão a fazer trafulhice nos motores... isto é histórico!
A Rússia já anda a bombardear a Síria, com a Turquia, o Irão e os EUA na mistura. Espero que este assunto não evolua para pior e se torne histórico. Devem querer confusão para fazer subir o preço do petróleo.

Enquanto isso vou desenhando o quotidiano nas travessias, vejo o pessoal descontraído e a pensar em assuntos mais ligeiros. Aproveitemos estes últimos dias de "Verono".

terça-feira, 29 de setembro de 2015

(a)Riscar o Património - LxFactory Lisboa


No passado sábado 26, houve encontros de desenho - (a)Riscar o Património/Heritage Sketching - por diversas cidades do país, uma iniciativa da DGPC – Direção-Geral do Património Cultural, com apoio dos Urban Sketchers Portugal, integrada nas Jornadas Europeias do Património, que decorrem todos os anos em todo o país, durante o mês de Setembro.

O tema de 2015 era sobre o Património Industrial e decorreu nas cidades de Viana do Castelo, Porto, Coimbra, Montemor-o-velho, Tomar, Torres Vedras, Lisboa, Castelo Branco, Évora, Porto da Cruz (Madeira) e São Miguel (Açores).




Fui ao encontro de Lisboa no espaço da LXFactory que não conhecia. Fiquei surpreendido pela remodelação de algumas antigas oficinas, a criatividade e a utilização do espaço ao ar livre. O ponto de encontro foi na livraria Ler Devagar e gostei de ver as antigas rotativas e maquinaria da antiga gráfica, um espaço espectacular para apreciar livros e maquinaria antiga.

Alguns dos participantes que fui apanhando numa pausa entre desenhos...





Gostei muito das paredes em tijolo de alguns edifícios, das grandes tubagens no exterior e ao mesmo tempo da mistura entre o antigo e o moderno.

Não fiquei até ao fim, mas pude apreciar outros desenhos numa esplanada onde o grupo tentou convencer o empregado a retirar algum do açúcar das limonadas e ele que estava com receio de alterar a receita na bimby. As receitas não são sagradas, basta retirar o açúcar! Um momento bem engraçado num final de tarde que estava com uma luz linda, criando um ambiente bem criativo e descontraído.


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